Sindicato de professores

28.000 professores debatem greve e conquistam aumento salarial histórico

850 vagas de professores não preenchidas, uma profissão em crise — e 28.000 membros do sindicato que precisavam debater uma greve e rejeitar juntos as propostas do governo.

28.000 professores debatem greve e conquistam aumento salarial histórico
Organização

NZEI Te Riu Roa

Sindicato de professores

Nova Zelândia

28.000 ou mais membros

Relato de

Jane Porter

Representante do NZEI

Usuário desde 2018

Usa o Loomio para
28.000 membros debatendo uma greve
Membros dispersos incluídos por email
Orientação da campanha conduzida pelos membros
Votações secretas informadas pelo debate aberto

Professores na Nova Zelândia usaram o Loomio para conquistar uma importante vitória: aumento salarial e melhores condições de trabalho para todos os professores.

A profissão docente na Nova Zelândia parecia estar em perigo. Um relatório do Ministério da Educação publicado no início de 2018 afirmava que mais de 850 vagas de professores precisavam ser preenchidas com urgência — uma lacuna significativa em um país com população inferior a 5 milhões de pessoas.

Jornadas longas, cargas de trabalho elevadas e o aumento do custo de vida na Nova Zelândia (especialmente em cidades maiores como Auckland, Wellington e Christchurch) faziam com que menos pessoas ingressassem na profissão e muitas a abandonassem, levando a uma escassez de professores em todo o país.

Uma campanha para resolver a crise na educação

Determinado a fazer algo sobre a situação e melhorar as condições de trabalho dos educadores, o New Zealand Educational Institute Te Riu Roa (NZEI TRR) decidiu mobilizar seus mais de 28.000 membros, entre professores e diretores. Nasceu assim a campanha Kua Tae Te Wā (É hora).

Muitos membros do NZEI se reúnem na orla de Wellington com cartazes e uma grande faixa com os dizeres Kua Tae Te Wā ou Agora é a hora

Kua Tae Te Wā – “pelos professores, para os professores”

Desde o início, o NZEI TRR imaginou que a campanha seria “pelos professores, para os professores”, o que significava que ela deveria ser moldada pelos membros do sindicato. Na prática, porém, isso apresentava alguns desafios. Embora o NZEI já tivesse uma grande lista de emails, precisava encontrar uma forma de incluir os membros no processo de tomada de decisões para que a campanha fosse realmente representativa de todas as pessoas envolvidas na profissão. Com tanto em jogo e mais de 28.000 membros, uma conversa por email simplesmente não seria suficiente.

A equipe do NZEI decidiu usar o Loomio, uma plataforma online de discussão, engajamento e tomada de decisões.

Nossos membros formam um grupo grande, diversificado, geograficamente disperso e ocupado. Queríamos que eles pudessem interagir entre si para compartilhar opiniões e debater ideias, em vez de apenas receber informações enviadas por nossos escritórios.

Jane Porter, NZEI

Ao longo da campanha Kua Tae Te Wā, os debates foram organizados em “discussões no Loomio”, permitindo que os professores encontrassem facilmente um assunto específico de seu interesse, soubessem mais sobre ele e participassem da conversa se quisessem. Muitas delas foram organizadas pelos próprios membros, permitindo que levantassem assuntos de seu interesse.

A integração do Loomio com o email permitiu que os professores se inscrevessem para receber emails sobre as discussões das quais participavam diretamente em sua caixa de entrada, sem precisar entrar na plataforma.

Os primeiros passos

Discussões no Loomio e em um grupo do Facebook, assim como reuniões presenciais com representantes sindicais, orientaram os rumos da campanha. Um aumento salarial de 16%, equidade salarial, mais horas livres de sala de aula para os professores e apoio adicional a alunos com necessidades especiais foram definidos como os objetivos desejados.

Inicialmente, o plano era chamar a atenção para a questão envolvendo pais e responsáveis, conversando com a imprensa e pressionando o governo para promover mudanças. No entanto, como não viram os resultados desejados, os membros do sindicato votaram pela realização de uma mobilização sindical.

Grande multidão colorida de apoiadores do sindicato e dos professores em um campo, com uma faixa que diz “Apoiamos os professores”

Liderando a primeira greve de professores em 25 anos

Depois da rejeição de uma proposta do Ministério da Educação, em 15 de agosto de 2018, ocorreu a primeira greve, com mais de 28.000 professores e diretores do ensino fundamental paralisando suas atividades para chamar a atenção para os problemas enfrentados pelos educadores. A greve resultou no fechamento de 1.479 escolas em todo o país por um dia.

A primeira proposta

Durante 2018, outras duas propostas foram apresentadas e rejeitadas, e os membros votaram pela realização de greves escalonadas em todo o país.

Em todos os casos, as decisões de rejeitar as propostas e realizar greves foram tomadas por votação secreta dos membros. Por isso, era importante ter a oportunidade de discutir suas opiniões antes de votar. Muitos membros usaram o Loomio para discutir as propostas e as opções de ação caso fossem rejeitadas. Isso incluiu, por exemplo, criar uma enquete com opções de mobilização sindical. A discussão foi intensa e mostrou a ampla variedade de opiniões a serem consideradas.

Pessoas marcham pelas ruas de Wellington, com um close de vários voluntários ou professores dedicados erguendo cartazes: “Valorizem os professores” e “Precisamos de professores”

Fazendo história com a “Megagreve” – a maior greve de professores da história da Nova Zelândia

Em 2019, ainda à espera de uma proposta aceitável do governo, professores dos ensinos fundamental e médio uniram forças para realizar uma mobilização sindical conjunta, em uma iniciativa histórica e inédita. Em 29 de maio de 2019, mais de 50.000 professores, diretores e apoiadores foram às ruas em todo o país. Essa ação ousada recebeu apoio local e internacional, e publicações reconhecidas mundialmente, como o jornal britânico The Guardian, cobriram a greve.

Uma vitória para os professores do ensino fundamental

Em 13 de junho, após 18 meses de campanha incansável, os professores da Nova Zelândia conquistaram uma vitória histórica: um aumento salarial de 3% ao ano, um novo teto salarial de 90.000 dólares neozelandeses e paridade salarial em todo o setor — uma proposta de acordo coletivo no valor de cerca de 1,5 bilhão de dólares neozelandeses.

Ao receber essa proposta do governo, os membros usaram o Loomio para discutir se deveriam aceitá-la ou não. Os professores do ensino fundamental votaram a favor por ampla maioria, enquanto os diretores decidiram rejeitar a proposta.

Embora essa proposta não atendesse a todas as reivindicações da campanha, ainda assim foi uma vitória significativa para o setor educacional, melhorando as condições de trabalho de milhares de professores em todo o país.

Usando o Loomio para engajar os membros durante toda a campanha

Durante toda essa campanha, era importante que cada membro pudesse se expressar — o Loomio nos ajudou a fazer isso. Membros que antes não contribuíam para as discussões passaram a contribuir ativamente com ideias para a campanha.

Barb Curran, NZEI

Outras pessoas também expressaram essa opinião. “Acho que o Loomio é uma ferramenta de comunicação muito eficaz que me ajudou a acompanhar o que estava acontecendo e me permitiu tomar decisões informadas”, disse Callum Wong, professor do ensino fundamental.

Durante toda a campanha, os membros usaram regularmente o Loomio para ajudar a tomar decisões importantes. Por exemplo, usaram a plataforma para discutir e debater opções de mobilização sindical, determinar como envolver a comunidade em geral e discutir quais opções de aumento salarial seriam satisfatórias para as pessoas.

Um ponto de virada para o setor educacional

De modo geral, essa vitória marca um importante ponto de virada para a profissão docente na Nova Zelândia e demonstra o poder da ação coletiva. Quando os professores recebem apoio para fazer seu trabalho, todos se beneficiam, principalmente os alunos.


Sobre o NZEI Te Riu Roa

O NZEI TRR é o maior sindicato de professores do país, com aproximadamente 50.000 diretores e professores de escolas de ensino fundamental e de escolas que atendem vários níveis de ensino, além de profissionais de apoio dos ensinos fundamental e médio, professores de educação infantil e profissionais de educação especial.

O sindicato negocia os salários e as condições de trabalho dos membros, coordena campanhas sobre políticas educacionais, apoia novos educadores com programas relevantes de desenvolvimento profissional e ajuda os membros com questões relacionadas ao emprego.

• Madina Knight

Tags: Estudos de caso

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