Alanna, do Loomio, encontrou Michel Bauwens em Berlim, enquanto ambos participavam de uma conferência sobre Capital para os bens comuns. Eles conseguiram sair por alguns minutos para que Michel contasse a Alanna sobre sua experiência usando o Loomio na P2P Foundation, que ele fundou.
A P2P Foundation é uma rede global de pesquisadores de design aberto, hardware aberto e software livre – todos os tipos de sistemas abertos a contribuições e que criam um recurso comum. Eles constroem conhecimento coletivo e exploram como desenvolver meios de subsistência em um novo paradigma social e econômico.
Os membros da equipe da P2P Foundation são extremamente produtivos individualmente e sabem trabalhar com autonomia. Eles geram valor continuamente ao colaborar em um formato como uma wiki. Mas descobriram que tomar decisões sobre ações coletivas era diferente.
Eles se viam em discussões que não chegavam a uma conclusão clara. Então, seis meses depois, o mesmo assunto surgia novamente. Algumas atividades mais complexas se mostraram difíceis de coordenar informalmente.
O Loomio nos ajuda a dizer: “Discutimos isso. Chegamos a um acordo.” É fácil de usar e nos permite trabalhar de forma não hierárquica sem que seja caótico.
Tomar uma decisão no Loomio a torna legítima e permite que o grupo delegue claramente a responsabilidade pela execução. Quem realiza a implementação sabe que todo o grupo o apoia.
Você recebe um mandato da sua comunidade — é disso que eu gosto.

Para Michel, o mais importante sobre o Loomio é que ele é útil. Por isso, ele viu a ferramenta se espalhar viralmente pelas comunidades de produção entre pares, sem necessidade de marketing. Ela encontra ressonância por causa do que ele chama de design sensível a valores.
Nossos valores — nossos valores democráticos — estão nesse software.
Apesar de ser o principal bibliotecário e cronista das práticas de colaboração de código aberto, o próprio Michel é pesquisador, não especialista em tecnologia. Ainda assim, ele considera o Loomio fácil de usar.
A P2P Foundation usa uma ampla variedade de ferramentas de comunicação digital, produzindo uma extensa wiki e uma revista online, além de publicações em blogs, vídeos e outros tipos de mídia na internet. Mas eles descobriram que, para ser eficaz, a tomada de decisões exige uma ferramenta criada especificamente para esse fim.
Conversar juntos, já podíamos. Mas o que o Loomio oferece é a combinação de conversar e tomar decisões.

Da sua perspectiva, Michel vê o Loomio como parte de um movimento muito maior em direção à colaboração sem necessidade de permissão, ao cooperativismo aberto, às coalizões empreendedoras e às comunidades de bens comuns.
Meu sonho é que o Loomio seja apenas uma de um conjunto de ferramentas que possam ser usadas por essas novas comunidades produtivas. Deveria haver uma biblioteca de ferramentas que não concorram pela massa de pessoas que querem se entreter, mas que sejam realmente para pessoas sérias que produzem bens comuns. O Loomio será uma ferramenta central desse conjunto.
Michel visitou o Loomio recentemente durante sua turnê de palestras pela Nova Zelândia. Ele se chama de “o bibliotecário do movimento” e viaja pelo mundo conectando diversos grupos que trabalham de maneiras P2P altamente colaborativas.
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